Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2007

David Sanguinetti - 23 anos - Téc de Informática - Setúbal

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de um espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Felizmente, faço parte do grupo dos "desorientados" e "hipócritas" do Não.

 

Faço parte do grupo dos "desorientados" e "hipócritas" dos fundadores da

Constituição Portuguesa, e dos criadores da Declaração Universal dos Direitos

do Homem.

 

Na mais completa subversão de valores defendida e vivida por alguns

homens-partido, só posso encarar tais etiquetas como menções honrosas.

 

Avaliando os argumentos que defendem o aborto, por decisão da mulher, num

prazo de 10 semanas, comparticipado pelo Estado, qualquer cidadão

(independentemente da sua cor política ou credo) conclui que não são

suficientemente satisfatórios, face às outras consequências que tal

despenalização acarreta.

 

Será que este governo anda tão preocupado com a saúde das mulheres, aplicando

políticas de encerramento de maternidades e urgências? Não comparticipando

medicamentos nem vacinas contra um cancro? O resto todos sabemos. E sabemos

também que, paradoxalmente, pretendem comparticipar o assassinato de um filho

pela sua própria mãe. Desorientação meus caros senhores?

 

O aborto clandestino é um flagelo. E o legal? Será justo que um cidadão ande a

descontar o dinheiro que desconta no fim do mês para participar dos descuidos

sexuais entre homens e mulheres? "Paga-se no tribunal", dizem adeptos

do "sim". Não é para os tribunais que o comum contribuinte lamenta que o seu

dinheiro vá. Pelo contrário, tendo em conta a forma como anda a Justiça neste

país.

 

Se de facto o Estado pretende gastar algum dinheiro, parece-me bem que seja

gasto com as associações que acolhem os recém-nascidos que os pais não

quiseram/puderam criar, que tantas dificuldades financeiras e logísticas

passam.

Se o Estado pretende reformar a Lei, reforme a Lei da adopção, porque não é

justo que, ao fim de N anos que uma criança tenha sido adoptada, apareça o

pai biológico, e o pai adoptivo seja acusado de sequestro!

 

Se uma mulher que pretende abortar for impelida a dar uma oportunidade à vida

que carrega no ventre, quem sabe se esta vida não pode estudar, ter uma

família, trabalhar, e contribuir para esta sociedade?

Ser-humano já o é. Basta deixá-lo viver.

 

Neste referendo, optarei pelo mal menor.

 

 

David Sanguinetti, Eng.º Tec. de Informática

Setúbal

23 anos

 

 

Voz-off: Dou os meus sinceros parabéns pela iniciativa deste blog. É de louvar

que se dê voz a um lado e outro, para que o exercício do dever cívico seja

feito com mais consciência do impacto da sua decisão. Bravo!


Publicado por mdl às 21:08
Link do artigo | Comentar | Adicionar aos favoritos
Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

Eng.º Carlos Cardoso - Mirandela

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de um espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Votar no sim não justifica que sejamos a favor do aborto!

 

Basta estar atento às notícias para percebermos que diariamente se realizam interrupções voluntárias da gravidez (em 2005 mais de 3500 mulheres portuguesas abortaram numa clínica de Badajoz). E assim continuará no futuro. Ninguém, nem mesmo os tribunais os poderão fazer parar, visto que, é uma decisão pessoal.

Embora seja pela defesa da vida, em qualquer circunstância, defendo o sim por três razões:

primeira- é duro uma mãe ter que realizar um aborto. Não vale a pena expô-la à tortura do tribunal;

segunda- cada um, em consciência, deve optar se deve ou não realizar um aborto, não é uma decisão colectiva;

terceira- todo o ser vivo que vem ao mundo deve ser amado. Se uma criança não é bem vinda, então, para ser mal tratada e/ou abandonada, mais vale não nascer. Sugiro que vejam as obras sociais que apoiam as crianças sem família ou com família ausente, é muito triste.

A realidade de hoje é a seguinte:

1- não há consultas de planeamento familiar para todas as famílias;

2- existe, ainda hoje, em muitas pessoas, elevado desconhecimentos sobre fertilidade da mulher, sendo por isto extremamente difícil os pais ensinarem os filhos;

3- não está generalizada a educação sexual nas escolas;

4- não existem políticas de apoio à natalidade;

5- não existem politicas que apoiem a adopção;

6- as mulheres da sociedade média a alta fazem os abortos em clínicas no estrangeiros; As mulheres sem recursos fazem-nos em condições de higiene e segurança bastante precárias.

Vamo-nos deixar de hipocrisias, o aborto é um problema de ontem, de hoje e do amanhã, por isso temos que proteger a vida e saúde das mães.

Não à marginalização de, algumas, mulheres porque tiveram de abortar, independetemente das razões, que só a cada um dizem respeitam.

Carlos Cardoso - Mirandela


Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2007

Sessão de Esclarecimento dia 4 em Macedo de Cavaleiros

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de um espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Chegou este pedido de divulgação:

img246/1482/img020zd4.jpg

 Convidam-se todos os Transmontanos a participar numa Sessão Pública de
Esclarecimento sobre o Referendo à Interrupção Voluntária da Gravidez, com
a presença da Eurodeputada EDITE ESTRELA, que irá decorrer no próximo
domingo, dia 4 de Fevereiro, às 15 horas, no Auditório do Centro Cultural de
Macedo de Cavaleiros. PARTICIPE!


Publicado por mdl às 17:23
Link do artigo | Comentar | Adicionar aos favoritos
Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Carolina Marques - Web Designer - 26 anos - Ericeira

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de um espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Voto SIM pela dignidade humana

 

 Para mim, que andei um ano por Direito, aprendi que a justiça é feita pelo consenso entre os Homens. Por mais que admirem a máxima "Deus pôs a justiça no coração dos homens" para justificar o que quer que se queira designar por justo, estão a misturar o que não se dissolve.

 

Não há lei que não seja inventada, discutida, preparada, desenhada e aprovada por nós: mulheres e homens. Todas as tentativas de relacionar a lei com Deus são infrutíferas; não é ele que pensa ou escreve a lei; a mão que lhe coloca um ponto final na Constituição é humana. Não há maior miscelânea de raciocíonio que pedir a uma instituição distante da justiça para marinar em conjunto uma lei. Isso não existe. O que existe é presunção. Que têm as igrejas de fazer do seu interior missas cantadas contra uma lei? Sim, andam a fazer propaganda pela vida (que vida?) nas missas(?!?!), como o caso do Coronel A. na igreja paroquial da vila da Ericeira que até garante autocarros para os in fiéis irem votar, depois de lhe ser cedido o altar como palco para um discurso anti-aborto. Eu sempre pensei que a igreja era um espaço para se debater ouvir religião e não para fazer campanhas desumanas. Por carga d'água? Porque raios e curiscos? Porquê esta contínua mania de misturar o que não se dissolve…?

 

Que tem por exemplo a igreja de falar contra o preservativo? Para termos mais filhotes? Para apanharmos Sida e por isso morrermos prematuramente? Para nos tirar educação? Para nos colocar uma venda nos olhos? Para quê? Com que direito a igreja pode ter a presunção de se prenunciar contra o aborto? Os padres são médicos? Aprovam leis? Ah! Querem criancinhas? Não interromper o curso natural das vidas humanas? Mas apoiam / apoiaram bastante a morte ao apoiarem o "não" ao uso do preservativo, porque ainda hoje milhares de pessoas morrem de Sida muitas delas porque provavelmente seguiram esse conselho divino "não o uses meu filho… não o uses…". Agora é "não abortais minha filha… não abortais." Promovem teorias de tudo e mais alguma coisa para defender o que não existe: primeiro, Deus; a seguir o coração que já bate com 10 semanas (sim, é uma defesa padresca). Mas em que país vivo eu? No país dos amens depravados? Depois bem… agora a nova teoria que algures no ciberespaço comentei, mas aqui volto para cozer com este esboço de pensamento: a teoria do "hein? Quantas mulheres foram presas por praticar abortos nos últimos 30 anos, hein?" É fantástica.

 

É deveras inteligente e digna de um aplauso. Ora com lincença: clap clap . Alteramos então só para as ditas cujas não serem julgadas. Ora aí está o "não" a mostrar a sua efervescência vinda sei lá de onde… de um aborto mal feito em clínicas privadas espanholas com certeza… aliás só pode. Quantas manifestações não vi eu às portas dos tribunais para não condenarem as mulheres. A lei como está fazia-me imaginar a justiça (que é cega) levantar o sobrolho e pegar as mulheres ao colo dizendo "mas que faço eu com elas…?". A própria justiça se considera injusta. Bom… mas há tantas teorias de rir que nem eu tenho tempo para todas mas outra é a de que não dão poder de decisão ao homem. Também querem engravidar? Ou é só opinar?

 

É que se é só opinar é já a seguir no dia 11 de Fevereiro meus amigos. Já estou como dizia o BE no outro dia, que estes gajos do "não" vão do coração que bate às 10 semanas à carteira dos contribuintes numa palhinha, por considerarem o "sim" mais gastos dos contribuintes. Afinal estão preocupados com o custo ou com a semente ainda mal desenhada? Não me venham com guerras de há 20 anos atrás, que eu tenho 26 anos e tenho idade é para ver discussões mais vanguardistas; mais à frente; mais inovadas e conhecedoras dos factos e não para discussões e batalhas retrogadas. Votar "não" é sempre votar para as mulheres abortarem em clínicas clandestinas privadas, aqui ou em Espanha; perderem a vida ou correrem riscos de ficar sem ela. O aborto é como a eutanásia: quem quer mata-se; quem quer aborta; a diferença está em ter ou não ter direito à dignidade humana . E não ter direito à dignidade humana no século XXI é pura e simplesmente repugnante. E aquela do "não" acusar que queremos o "aborto como método contraceptivo"?

 

É bestial de bestas mesmo. Mesmo eu, mulher, estou ansiosa por fazer dezenas de operações na minha vida. É óbvio que as mulheres adoram engravidar para serem operadas e abortar a seguir; acho mesmo que isso é um hobby que todas as mulheres pretendem não é? Palhaçada… "Na minha barriga mando eu", como alguém me disse e muito bem; não é por votar "não" que se deixa de fazer; portanto votar "não" é votar a favor da condenação das mulheres por provocar o aborto; é votar na precaridade de assistência médica; é votar na morte de milhares de mulheres; é votar na humilhação; é votar na vergonha; é votar na discriminação; é votar no preconceito; é um voto atrasado no tempo; é votar contra a dignidade humana; é votar contra o livre acesso a condições de assistência médica é votar em teorias que mais parecem beatas mal apagadas. Por tudo isso voto SIM.

 

Carolina Marques

http://icarol.wordpress.com


Publicado por mdl às 20:36
Link do artigo | Comentar | Adicionar aos favoritos

. todas as tags

.Links

.Arquivos

. Julho 2008

. Março 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.Links

SAPO Blogs

.subscrever feeds