Domingo, 13 de Julho de 2008

Debater a Linha do Tua


Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Petição Linha do Tua VIVA

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Decorre uma Petição na Internet, para que a linha do Tua não encerre.

ASSINE AQUI 


Domingo, 23 de Março de 2008

Notícia

Licença provisória de circulação

  Mirandela

Mais dois meses a circular no Tua

O Instituto de Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT) aceitou prorrogar, por mais dois meses, a licença provisória de circulação na linha do Tua e desta forma permitir a vigência da marcha à vista no troço entre Brunheda e o Tua.

A decisão foi comunicada, ontem, algumas horas depois da assembleia-geral do Metro de Mirandela ter solicitado essa prorrogação, como resposta ao ultimato do IMTT que, no fim-de-semana passado, deu um prazo, até este sábado, para que a REFER - proprietária da infra-estrutura - e o LNEC - responsável pelos estudos de segurança - apresentem um relatório fundamentado com as medidas de segurança necessárias à circulação, para evitar novo encerramento da linha do Tua, no troço em que ocorreu o acidente, a 12 de Fevereiro do ano passado, entre Brunheda e o Tua, que reabriu a 27 de Janeiro.

O IMTT decidiu agora adiar, até 21 de Maio, a Instrução Complementar de Segurança que determinava a interdição da circulação, em parte da linha.

Segundo o presidente do Metro e da Câmara de Mirandela, \"a REFER e o LNEC informaram que necessitam da dilatação do prazo para desenvolver o relatório exigido pelo IMTT\". José Silvano revela ainda que aqueles dois organismos alegam que \"as análises de risco a fazer em alguns troços da linha são difíceis e demoram bastante tempo\".

Perante este cenário, a CP e a Câmara de Mirandela - accionistas do Metro - decidiram enviar um documento ao IMTT a mostrar disponibilidade para continuar a operar no regime de \"marcha à vista\".

Perante esta solicitação, REFER e LNEC têm mais dois meses para apresentar um estudo fundamentado sobre as condições de circulação da Linha do Tua com a indicação da respectiva velocidade por troço.

 

 

Fonte Fernando Pires Diário de Trás-os-Montes


Publicado por mdl às 00:01
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Sábado, 22 de Março de 2008

Notícias

Linha do Tua em marcha à vista

  Mirandela

Metro e CP pedem prorrogação da licença provisória de circulação por mais dois meses

As carruagens da Metro de Mirandela podem andar mais dois meses em marcha à vista. Isto porque a CP e metro pediram a prorrogação da licença provisória de circulação na Linha do Tua. O prazo dado pelo Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres termina sábado.

A CP e a Metro de Mirandela pediram ontem a prorrogação por mais dois meses da licença provisória de circulação na Linha do Tua, o prazo reclamado pela Refer e LNEC para conclusão das medidas de segurança.
Esta posição, tomada em assembleia-geral da Metro de Mirandela, que assegura o transporte ao serviço da CP, surge na sequência do ultimado dado pelo Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT).

O IMTT deu um prazo, que termina sábado de Páscoa, à Refer e ao LNEC para entregarem um relatório fundamentado com as medidas de segurança necessárias à circulação.Este prazo já é uma prorrogação da licença provisória que terminava a 15 de Março e que obrigava à interdição da circulação, desde o dia 16, no troço em que ocorreu o acidente que há um ano tirou a vida a três pessoas.

O troço entre a Brunheda e a Estação do Tua reabriu a 27 de Janeiro, quase um ano depois do acidente e de obras para reparar os danos causados pelo desabamento de pedras que arrastaram uma carruagem com cinco pessoas por uma ravina em direcção ao rio Tua.
A CP e a Metro de Mirandela estão dispostos a continuar a operar no regime “mais penalizador” que é o de “marcha à vista” – velocidade reduzida – e que tem vigorado desde a reabertura.

De acordo com o presidente da metro e da Câmara de Mirandela, José Silvano, a Refer, proprietária da infra-estrutura, e o LNEC, responsável pelos estudos de segurança, deviam ter entregado até 15 de Março o relatório fundamentado para estabelecer a tabela de velocidade nos diferentes troços da linha, o que não correu.

Assembleia

Estas informações foram discutidas ontem, na assembleia-geral da Metro de Mirandela, que serviu para analisar a informação pedida às diferentes partes envolvidas no processo. Segundo José Silvano todas responderam – IMTT, Refer, CP e LNEC – mas “ainda ninguém esclareceu o que vai acontecer depois do dia 22”.

A assembleia-geral da metro decidiu enviar um documento ao IMTT a perguntar isto mesmo e a mostrar disponibilidade, junto com a CP, para continuar a operar até 17 de Maio no regime de “marcha à vista”.

Silvano espera que a proposta seja aceite e que a partir de 17 de Maio estejam reunidas as condições para restabelecer a circulação com normalidade. “Caso contrário, a partir do dia 22 vigorará novamente a mesma situação de antes da reabertura, com a ligação de comboio entre Mirandela e a Brunheda e de carro até a Estação do Tua”, disse.

O partido ecologista Os Verdes entregou na terça-feira na Assembleia da República um requerimento ao Governo a pedir esclarecimentos sobre o mesmo assunto. Os Verdes querem saber “de que forma está o Ministério dos Transportes a pensar intervir, no sentido de garantir a salvaguarda do interesse e do serviço público”.

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IMTT - Ultimato

Depois do ultimato do Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres, a entidade de supervisão, os dois organismos informaram que necessitam da dilatação do prazo por mais dois meses, até 17 de Maio, para desenvolverem o relatório exigido pelo IMTT.

Apesar de ter passado mais de um ano do acidente de 12 de Fevereiro de 2007, os dois organismos alegam que “as análises de risco a fazer nalguns troços da linha são difíceis e demoram bastante tempo”, disse José Silvano.

 

Fonte: PJ Díário de Trás-os-Montes


Publicado por mdl às 23:55
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Reabertura da Linha do Tua

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Movimento Cívico Por Mirandela

COMUNICADO

O Movimento Cívico Por Mirandela congratula-se com a anunciada reabertura do troço entre Brunheda e Tua, encerrada após o acidente do passado dia 12 de Fevereiro de 2007.

Salientar o empenho de diversos organismos como o Partido Ecologista Os Verdes, o Movimento Cívico Pela Linha do Tua e o senhor Presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, pelo elevado empenho com que se dedicaram a esta causa, tão importante para o povo transmontano.

Sempre fomos optimistas e a reabertura da linha só nós dá mais ânimo e força de vontade para continuarmos a lutar pela manutenção desta bela ferrovia.

Anunciamos desde já, que pretendemos organizar um passeio/convívio pela Linha do Tua, numa data a acertar, convidando desde já todos a participar inscrevendo-se através do e-mail pormirandela@hotmail.com.

Pela Linha!

 

 

http://pormirandela.blogs.sapo.pt

 


Publicado por mdl às 20:26
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Domingo, 13 de Janeiro de 2008

Reportagem

 Reportagem Especial

Barragem do Tua

Edição de Domingo

13 de Janeiro 2008

www.publico.clix.pt

Declarações de:

Movimento Cívico Pela Linha do Tua

Movimento Cívico Por Mirandela

Pres. Câmara de Alijó

Pres. Câmara de Mirandela

entre outros


Publicado por mdl às 13:00
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Exposição dos 120 anos da Linha do Tua

Bragança-Grijó

LINHA DO TUA

120 ANOS

Exposição de Fotografia - 05 a 31 de Janeiro de 2008 - Forum Theatrum

 Bragança

Uma organização:

Movimento Cívico pela Linha do Tua 


Publicado por mdl às 03:02
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Conheçe a Linha do Tua?

Video "gentilmente" retirado do You Tube

Pertencente a Movimento Cívico Pela Linha do Tua


Publicado por mdl às 02:59
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Homenagem a António Cabral

 

Video de Clara Pimenta do Vale - Retirado do You Tube


Publicado por mdl às 01:22
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Por Mirandela, junta-se "Pela Iara"

 

O Movimento Cívico Por Mirandela, decidiu juntar-se ao Movimento "Juntos pela Iara"

Visite o Blog e assine a petição.


Publicado por mdl às 14:02
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Conferência Debate - Cidadãos Por Lisboa

Quinta, 29 de Novembro

Fabrica do Braço de Prata - Lisboa

18h Sala Turing
Conferência/Debate

Carlos Palminha | Plataforma Artigo 65

 

Roselyne de Villanova | Centre National de la Recherche Scientifique, Paris

Helena Roseta | Cidadãos por Lisboa


Maria João Freitas | Instituto de Habitação e da Reabilitação Urbana

Filipe Lopes | Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana


22h Sala Visconti
As Operações SAAL

com a presença do realizador João Dias [Portugal, 2007, 90 min]

Intervir, Renovar e (Re)Habitar tornam-se inevitavelmente os conceitos mestres de uma intervenção necessária. A cidade precisa de "acupunctura urbana", ou seja, de intervenções pequenas e estratégicas que consigam devolver vida à cidade e atrair a si as pessoas.

O objectivo deste encontro - organizado pelo CIDESC e pelo Movimento Cidadãos por Lisboa e para o qual foi convidado um representante da Plataforma Artigo 65 para estar presente na mesa-redonda - serão discutir a cidade e compreender como as estratégias de participação contribuem para a sua revitalização.

Links :

www.cidadaosporlisboa.org


Publicado por mdl às 11:55
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Metro não pode circular a mais de 30 km por Hora.

  Metro a 30km/Hora

Ainda não há data para o restabelecimento da circulação ferroviária na linha do Tua, entre Brunheda e a linha do Douro. A Refer já concluiu as obras reparação no local do acidente de 12 de Fevereiro, em que morreram três pessoas, mas, segundo o jornal Público de hoje, o LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil - diz que os comboios só podem andar em regime de "marcha à vista", ou seja, não podem circular a mais de 30 quilómetros hora.

Esta "marcha à vista" permite ao maquinista parar a composição a qualquer momento. Este condicionalismo na velocidade impede tecnicamente a reabertura da linha à sua exploração comercial porque os tempos de percurso entre Mirandela e o Tua seriam excessivamente aumentados. Segundo o Público, esta restrição apanhou de surpresa a Refer, que contava reabrir a linha ainda este mês, e obriga-a a efectuar mais trabalhos na estrutura.

Ainda de acordo com o diário, se tudo correr bem, a Refer gostaria de oferecer como prenda de Natal aos municípios da região a reabertura da Linha do Tua. Para decisão posterior estão os pesados investimentos que permitiriam colocar esta via-férrea em patamares de segurança muito elevados.

Em causa está a instalação de sistemas de detecção de queda de blocos, através de cabo ou de feixes de luz e a monitorização permanente das zonas mais críticas, através da instalação de câmaras de vigilância e de redes de fibra óptica que detectam vibrações. Equipamentos que podem ascender a 2 milhões de euros e que dificilmente encontram rentabilidade económica.

In Rádio Brigantia

PS - Ao que me dizem, o Metro nos dias de hoje não muito além dos 35 a 40 km por hora. Alterem-se os horários e abra-se a linha. É preciso pensar muito?


Publicado por mdl às 11:50
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Sábado, 6 de Outubro de 2007

POR MYANMAR LIVRE

Luta pela democracia

República independente desde 1948, Myanmar é governada com pulso de ferro por uma Junta Militar, há 45 anos. No poder em 1962, com um golpe militar, os generais assumem os destinos do país (ainda com a designação Birmânia). Ne Win inaugura o que classifica como “a via birmanesa para o socialismo” – nacionaliza a economia, cria um Estado unipartidário e extingue a imprensa independente. Está instalada a ditadura.


Aung San Suu Kyi é a face visível da oposição ao regime, desde o final dos anos 80, quando a população acorda de um estado letárgico de 26 anos, desde o início da ditadura de Ne Win. Quase 30 anos depois do golpe militar de 62, o general convertera um dos países mais prósperos da Ásia num dos mais pobres do Mundo.

Nas universidades, começam os primeiros protestos pró-democracia, detonados pela degradação da economia. Agosto de 1988 fica registado na História, com centenas de estudantes a morrer às mãos da repressão militar contra as manifestações, em Rangun.

Conscientes da febre revolucionária que se vive no país, os generais convocam eleições livres, mas sem imaginar a dramática derrota que esperava o regime: A Liga Nacional pela Democracia (LND) conquista 396 dos 485 assentos parlamentares. Ainda assim, os militares negam-se a transferir o Governo. A Junta Militar permanece, ilegalmente, no poder. É redigida uma nova Constituição e os deputados eleitos da LND constituem um Governo no exílio. Em 1989, a Junta adopta a designação de Myanmar, em vez de Birmânia.

Em 1991, Aung San Suu Kyi, líder da LND, símbolo internacional da resistência pacífica e filha do general Aung San – herói da independência - recebe o Nobel da Paz, sob prisão domiciliária que se prolonga até à actualidade. Em 2006, é pela primeira vez permitido o contacto internacional de Suu Kyi, numa entrevista com o enviado especial das Nações Unidas.

“A revolução de açafrão”

Os protestos começaram em Agosto deste ano, num movimento contras as duras medidas económicas impostas pelo regime – que eleva em 500 por cento o preço dos combustíveis (petróleo e gás). Centenas de activistas são presos. Em Pakokku, um grupo de monges sai às ruas reclamando democracia, recebendo como resposta a agressão do Exército (em Myanmar, os monges - cerca de 400 mil - são tradicionalmente venerados, pelo que a sua participação nos protestos tem um peso significativo).

O gesto do regime indigna religiosos e população civil. É exigido ao Governo um pedido de desculpas mas, findo o prazo dado para o efeito, os monges saem às ruas, apoiados por milhares de civis. A cor das suas túnicas apelida a revolução que encabeçam de “revolução de açafrão”.

Com o passar dos dias, as marchas de protesto budistas ganham politização, com elementos da Liga Nacional pela Democracia entre os manifestantes. Entre 50 a cem mil pessoas saem às ruas de Yangun. O Exército ameaça recorrer à força. Monges e população resistem, desafiando o regime repressivo de mais de quatro décadas.


Publicado por mdl às 18:50
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Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

A linha do Tua faz hoje 120 anos!!

Tua – Mirandela

120 Anos de História

Vou contar-vos uma história. Esta história não tem castelos ou cavaleiros andantes,

magias de espantar, lirismos ou ridículo. A história que pacientemente ouvirão destas

páginas, é uma história de valentia, sonhos inolvidáveis, e suor arrancado das veras da

própria alma.

Nasci por estas terras, onde às águas do Tuela e do Rabaçal, um castelhano e outro

galego, já se dão o nome de Tua. Meu nascimento foi num ano da década de 1850,

quando homens de valor pegaram nas rédeas de Portugal e o levantaram a um novo

esplendor, forjado a aço e movido à força quente do vapor. O grande ministro do Reino,

Fontes Pereira de Melo, adorava o cavalo de ferro, e ditou que o seu galope substituísse

o ancestral das bestas verdadeiras. E chegou o dia em que se destinou que o cavalo de

ferro viesse também galopar nas terras do distrito de Bragança.

Chamavam-lhe comboio, e muitos se

insurgiram contra ele, uns porque lhe

apetecia, outros porque era uma

máquina assassina e perigosa, outros

porque era uma afronta contra os céus.

Aceitar a vinda do comboio era dar as

boas vindas ao próprio diabo; coisas

de que hoje até o próprio clero se ri

com benevolência. O que é certo é que

o comboio e a sua estrada de ferro

vinham aí, lançados a partir do Porto,

rumo ao vale do Douro, para entrar

pela Espanha adentro por Barca

d’Alva. Com a perspectiva da sua

passagem pela foz do Tua, a ideia de

fazer um ramal que daí subisse para

Mirandela e Bragança rápido ganhou forma e apoiantes.

Foi em 1878 que uns engenheiros vieram por cá, olhar com respeito para a garganta do

Tua, que se despenha para o rio como se fosse o próprio caminho para se cair nas forjas

do inferno. Foram feitos dois projectos, mas foi o do engenheiro António Pinheiro, pela

margem esquerda do rio, que viria a ser aceite. Depois disso, a Câmara de Mirandela

começaria o processo burocrático, apresentando à Câmara dos Pares do Reino em 1882

um projecto de lei para a cobertura de juro de 5% para os construtores da via. Como se

não houvesse fundamento sólido para a sua aprovação, fizeram-se pedidos à Associação

Comercial do Porto e a El-Rei D. Luís I em pessoa para pressionar quem de direito à

aprovação da construção da via-férrea. Foi isso em 1883, e foi nesse ano que a Linha do

Vale do Tua conheceu um dos homens que ficarão para sempre ligados a si: Clemente

Meneres, comerciante, que se viria a fixar no Romeu, onde criou uma das quintas mais

ricas de Trás-os-Montes, e para onde iria também puxar o comboio, quando alargaram a

linha para Bragança.

Mas o apoio estava dado, e o projecto aprovado, primeiro adjudicado ao Conde da Foz,

e deste trespassado à Companhia Nacional dos Caminhos-de-Ferro. O contrato

definitivo só viria a ser assinado em 30 de Junho de 1884; e é aqui que eu próprio entro

na História da Linha do Tua.

A lavoura era dura, impiedosa, e o rendimento que daí vinha escasso e incerto. A

oportunidade de trabalhar na construção da linha surgiu, e aproveitei-a: depois de

algumas abordagens, fazia parte da força de trabalho. Mas, se na altura a ideia parecia

boa, dias houve em que com o coração na boca já só pedia aos santos pela vida. O

trabalho aventureiro de construir a estrada de ferro atraía muitas vezes gentes de pouca

confiança, e a Linha do Tua não foi excepção. Homens de cara dura e olhar tisnado

juntaram-se, e dia 16 de Outubro as obras arrancaram.

Construir um caminho-de-ferro em terra plana e branda é uma coisa, e enquanto os

trabalhos se passaram entre Mirandela e o Cachão, com as aldeias à vista da gente e o

trabalho a prosseguir a bom ritmo, tudo seguia com normalidade. Iam os engenheiros à

frente, olhavam, olhavam, faziam cálculos, tiravam notas; e a tudo isso a gente seguia

com a indiferença de um lavrador ao que se passa em seu redor. Seja a levar o arado a

direito pelo sulco, ou a carregar as travessas da via, o que de mais se passe no mundo

não existe. Só era necessário prestar atenção às ordens de direcção da via, e a isso todos

deviam olhar religiosamente.

Ainda assim, o trabalho era duro. No Verão o sol ardia, e os carris num capricho

maldoso reflectiam a luz cegando-nos constantemente. Regar-se-iam quintas com o suor

aflito dos que ali tinham de arrancar ao ferro e à terra o pão para por na mesa. No

Inverno, a chuva engrossava o rio, fazendo dele um demónio furioso a rugir

constantemente ao nosso lado, e as geadas pareciam levar-nos da alma toda a réstia de

alegria. Mas o trabalho prosseguia...

Mas nem sempre a ordem imperava, ditada pelo rigor da natureza e pela ordem natural

das coisas, onde desde os tempos bíblicos se dizia que se não trabalhares, também não

necessitas comer. E cedo os desacatos estalaram, em olhares raivosos, vívidos, de

homens que tentavam roubar à calada, e não se submetiam a ordens imperiosas para que

o comboio alguma vez pudesse ultrapassar aquelas penedias. O engenheiro da obra

rápido deu de si, que aqui d’El-Rei que não se entendia com gente assim sem brios, que

mais pareciam bichos do monte. Foi aí, nessa altura, que foi chamado um homem que

ainda hoje respeito como a um mestre: Dinis da Mota. O açoriano, como muitos o

tratavam em conversas paralelas, tinha uma vontade de ferro, e até o mais feroz lobo de

barbas negras de entre os trabalhadores, ou fazia as malas e saía sem ai nem ui, ou se

submetia às ordens dadas. Bendito homem, que deu bom rumo à empresa!

Mas se me perguntam, de toda a linha, as coisas de que mais me recordo, uma delas

foram as tormentosas semanas em que nos internamos como bandeirantes nos penedos

do Baixo Tua. Em apenas 10Km de via, reclamamos àqueles desfiladeiros três pontes e

cinco túneis. Eu fui um dos que acendeu vezes sem conta o temerário rastilho da

dinamite. Nessa altura Dinis da Mota falava, e nós executávamos, como se fosse um

herói de guerra a quem é impensável questionar a ordem dada. Vezes houve em que me

prendiam com uma corda que passava numas roldanas, baixavam-me à altura da

plataforma da via, acendia ao rastilho, e gritava um “Puxem!” como um náufrago grita

pela vida no alto mar. Lá em cima puxavam, e antes da rocha ir pelos ares com um

fragor de nos siderar de medo, amplificado pelos ecos rancorosos dos outros penedos, ia

eu pelo ar, às vezes de olhos fechados, confundindo a bocarra medonha do desfiladeiro

com os portões do Purgatório. Já as pontes, se eram pequenas mereciam cuidado, se

eram grandes, mereciam um respeito sem limites. Um passo em falso, e toda a gente

rezaria um padre-nosso à hora do caldo pelo infeliz que se perdesse lá em baixo.

Esses dias foram os mais duros de todos. Sem um único casario à vista por semanas,

além dos do Amieiro, nem o canto dos pássaros se atrevia a interpor-se ao silêncio

ancestral dos fraguedos, e ao ribombar constante do Tua. Descansava-se quando se

podia, à sombra de um amieiro ou duma oliveira enfezada, com o cheiro macio a

madeira das travessas, uns grelhados dalguma truta arrancada ao rio, contavam-se

histórias, ria-se. Gente boa é simples, contenta-se com o pouco que ainda vai havendo e

que às vezes custa tão pouco.

Três anos levaram, a tirar

terras, alisar terras,

enterrar travessas, pregar

carris, montar pontes,

desbravar túneis, construir

estações. Nos povoados,

éramos recebidos como

soldados em partida para

uma campanha. As gentes

vinham, e eram os homens

a oferecer vinho, as

mulheres a dar

generosamente um naco de

centeio negro, e a garotada

a olhar com olhitos de

grande espanto para todo

aquele aparato. Teriam

eles também os seus heróis, ali a construir a via-férrea, ou dali a semanas, com alguém

da terra a comandar os passos cadenciados das 24 horas bem medidas que levam a gerir

uma estação.

Chegou o dia 27 de Setembro de 1887. A linha era oficialmente aberta à exploração.

Gritaram-se vivas, deram-se abraços; multidões acorreram para ver a negra E81,

comandada pelo próprio Dinis da Mota, a partir da estação do Tua para subir todo o vale

do rio até Mirandela. E era o progresso e o orgulho de todo um povo ali, engalanado na

locomotiva, a sorrir para a posteridade um legado inolvidável. O povo pelo caminho

também se juntou, acenando, e em Mirandela El-Rei D. Luís I recebeu a todos com um

olhar régio de satisfação, rodeado das mais altas patentes do distrito. Baptizaram-se

locomotivas, presidentes e dignitários falaram, e o povo tinha do que falar e do que se

valer por várias gerações.

E assim ganhei o meu lugar no imaginário destas terras. Muitos anos depois, os garotos

puxavam-me as mãos para lhes contar, no fim da malha ou da vindima, ou nas longas e

escuras noites de invernia, as histórias da construção da linha. E eram os adultos a rir

com as peripécias de um ou outro dia de confraternização, e os miúdos a arregalar os

olhos de espanto quando me imaginavam a voar como um pássaro enquanto o

desfiladeiro vomitava com raiva pedaços de pedra pelos ares.

Quanto à linha, bem... Anos depois, retomaram-se os trabalhos, e o comboio chegou

finalmente a Bragança, em 1906, depois da maior ponte e maior túnel da linha serem

construídos, e o comboio atingir a sua altitude máxima em todo o país, nos 850 metros

de Rossas. Presidentes vieram, repúblicas e ditadores se foram, e o comboio seguiu o

seu rumo, inexorável, pontual, ao ritmo dos finos relógios franceses, que a par dos

apitos esfuziantes das locomotivas a vapor e das automotoras regiam um povo ao

minuto, sem falhas. Cultivos cresceram, cereais embarcaram, tropas se foram, amores se

tornaram possíveis, tudo graças ao pendular constante dos comboios pelas serras e vales

por onde a Linha do Tua passa.

Mas veio o dia em que alguém, com impunidade e estultícia, ditou o encerramento dos

80Km de via-férrea que se construíram entre Mirandela e Bragança. Quantas voltas no

túmulo terão dado nesse triste dia os valentes homens que ali passaram 2 anos da sua

vida, a trabalhar com tanto esforço, a deixar uma tão grande obra para os filhos!

Quantos perderam emprego, tantas memórias enxovalhadas...

E aqui estou eu,

memória de um

povo, debruçado

sobre esta fraga. Ali

em baixo, o Tua e a

linha continuam os

mesmos que eu

conheci e moldei,

faz agora 120 anos.

Lá vai agora o

comboio, são

menos agora, mas

seguem com a

mesma resolução

com que a E81 no dia em que subiu este caminho de Santiago nessa data imemorial. E

há gente que por ela luta, que dela reconhecem o esforço e apoio na construção de uma

região melhor, que por ela saiu à rua numa noite de roubo não temendo a cara

carrancuda do Estado que lhe tirava quase 100 anos de comboio. Há gente que vive a

Linha do Tua, 120 anos depois.

Que assim continuem!

Em memória dos ferroviários caídos no acidente de Castanheiro, a 12 de Fevereiro de 2007

MCLT

Texto Original do Movimento Cívico Pela Linha do Tua.

– Daniel Conde, Setembro de 2007

Publicado por mdl às 08:49
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Onde estava no dia 5 de Setembro de 2006?

"Um distrito onde não se nasce é um distrito que tem tendência a morrer"

"balanço fortemente negativo"

"Foi um erro retirar-se a maternidade"

"Há um ano, em Bragança e Mirandela faziam-se cerca de 900 partos por ano. Agora, com o encerramento da maternidade em Mirandela, só nascem cerca de 600 crianças por ano no distrito de Bragança"

"Foi uma decisão errada o encerramento da maternidade"

Declarações do Dr. Luís Marques Mendes, hoje, na visita ao hospital de Mirandela. O Movimento enviou hoje através do site da candidatura de Marques Mendes na rubrica "Pergunte que eu Respondo"

 

Aguardamos a resposta às seguintes perguntas:

O Dr. Marques Mendes visitou hoje a sala de partos de Mirandela que encerrou à um ano, gostaria de lhe fazer duas perguntas.
1ª Onde estava em 5 de  Setembro de 2006 a quando da mega manifestação contra o encerramento da maternidade?

2ª Hoje veio a Mirandela dizer que foi um erro encerrar  a maternidade. Se ganhar as eleições em 2009 reabre a sala de partos de Mirandela e mantém a de Bragança?

Espero obter resposta!

Saudações Cívicas!

 


Publicado por mdl às 22:31
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