Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Carolina Marques - Web Designer - 26 anos - Ericeira

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de um espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Voto SIM pela dignidade humana

 

 Para mim, que andei um ano por Direito, aprendi que a justiça é feita pelo consenso entre os Homens. Por mais que admirem a máxima "Deus pôs a justiça no coração dos homens" para justificar o que quer que se queira designar por justo, estão a misturar o que não se dissolve.

 

Não há lei que não seja inventada, discutida, preparada, desenhada e aprovada por nós: mulheres e homens. Todas as tentativas de relacionar a lei com Deus são infrutíferas; não é ele que pensa ou escreve a lei; a mão que lhe coloca um ponto final na Constituição é humana. Não há maior miscelânea de raciocíonio que pedir a uma instituição distante da justiça para marinar em conjunto uma lei. Isso não existe. O que existe é presunção. Que têm as igrejas de fazer do seu interior missas cantadas contra uma lei? Sim, andam a fazer propaganda pela vida (que vida?) nas missas(?!?!), como o caso do Coronel A. na igreja paroquial da vila da Ericeira que até garante autocarros para os in fiéis irem votar, depois de lhe ser cedido o altar como palco para um discurso anti-aborto. Eu sempre pensei que a igreja era um espaço para se debater ouvir religião e não para fazer campanhas desumanas. Por carga d'água? Porque raios e curiscos? Porquê esta contínua mania de misturar o que não se dissolve…?

 

Que tem por exemplo a igreja de falar contra o preservativo? Para termos mais filhotes? Para apanharmos Sida e por isso morrermos prematuramente? Para nos tirar educação? Para nos colocar uma venda nos olhos? Para quê? Com que direito a igreja pode ter a presunção de se prenunciar contra o aborto? Os padres são médicos? Aprovam leis? Ah! Querem criancinhas? Não interromper o curso natural das vidas humanas? Mas apoiam / apoiaram bastante a morte ao apoiarem o "não" ao uso do preservativo, porque ainda hoje milhares de pessoas morrem de Sida muitas delas porque provavelmente seguiram esse conselho divino "não o uses meu filho… não o uses…". Agora é "não abortais minha filha… não abortais." Promovem teorias de tudo e mais alguma coisa para defender o que não existe: primeiro, Deus; a seguir o coração que já bate com 10 semanas (sim, é uma defesa padresca). Mas em que país vivo eu? No país dos amens depravados? Depois bem… agora a nova teoria que algures no ciberespaço comentei, mas aqui volto para cozer com este esboço de pensamento: a teoria do "hein? Quantas mulheres foram presas por praticar abortos nos últimos 30 anos, hein?" É fantástica.

 

É deveras inteligente e digna de um aplauso. Ora com lincença: clap clap . Alteramos então só para as ditas cujas não serem julgadas. Ora aí está o "não" a mostrar a sua efervescência vinda sei lá de onde… de um aborto mal feito em clínicas privadas espanholas com certeza… aliás só pode. Quantas manifestações não vi eu às portas dos tribunais para não condenarem as mulheres. A lei como está fazia-me imaginar a justiça (que é cega) levantar o sobrolho e pegar as mulheres ao colo dizendo "mas que faço eu com elas…?". A própria justiça se considera injusta. Bom… mas há tantas teorias de rir que nem eu tenho tempo para todas mas outra é a de que não dão poder de decisão ao homem. Também querem engravidar? Ou é só opinar?

 

É que se é só opinar é já a seguir no dia 11 de Fevereiro meus amigos. Já estou como dizia o BE no outro dia, que estes gajos do "não" vão do coração que bate às 10 semanas à carteira dos contribuintes numa palhinha, por considerarem o "sim" mais gastos dos contribuintes. Afinal estão preocupados com o custo ou com a semente ainda mal desenhada? Não me venham com guerras de há 20 anos atrás, que eu tenho 26 anos e tenho idade é para ver discussões mais vanguardistas; mais à frente; mais inovadas e conhecedoras dos factos e não para discussões e batalhas retrogadas. Votar "não" é sempre votar para as mulheres abortarem em clínicas clandestinas privadas, aqui ou em Espanha; perderem a vida ou correrem riscos de ficar sem ela. O aborto é como a eutanásia: quem quer mata-se; quem quer aborta; a diferença está em ter ou não ter direito à dignidade humana . E não ter direito à dignidade humana no século XXI é pura e simplesmente repugnante. E aquela do "não" acusar que queremos o "aborto como método contraceptivo"?

 

É bestial de bestas mesmo. Mesmo eu, mulher, estou ansiosa por fazer dezenas de operações na minha vida. É óbvio que as mulheres adoram engravidar para serem operadas e abortar a seguir; acho mesmo que isso é um hobby que todas as mulheres pretendem não é? Palhaçada… "Na minha barriga mando eu", como alguém me disse e muito bem; não é por votar "não" que se deixa de fazer; portanto votar "não" é votar a favor da condenação das mulheres por provocar o aborto; é votar na precaridade de assistência médica; é votar na morte de milhares de mulheres; é votar na humilhação; é votar na vergonha; é votar na discriminação; é votar no preconceito; é um voto atrasado no tempo; é votar contra a dignidade humana; é votar contra o livre acesso a condições de assistência médica é votar em teorias que mais parecem beatas mal apagadas. Por tudo isso voto SIM.

 

Carolina Marques

http://icarol.wordpress.com


Publicado por mdl às 20:36
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