Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

Manuel Alegre - Deputado PS

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de um espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Foi com satisfação que aceitei este convite, tanto mais que desta vez, ao contrário do que aconteceu em 1998, o Partido Socialista assumiu uma posição clara, responsável e inequívoca a favor do SIM.

 

Portugal é o país da Europa onde mais abortos se praticam ilegalmente por ano, onde mais mulheres morrem por causa de abortos clandestinos e onde mais mulheres ficam mutiladas em consequência de abortos feitos em condições degradantes, sem um mínimo de higiene e segurança. E é também um dos últimos países da Europa onde, depois de sofrerem a humilhação do aborto clandestino, há mulheres que continuam a ser presas, julgadas e condenadas. É por isso que este problema não é só um problema do foro íntimo, mas um flagelo que exige uma decisão política. Essa responsabilidade é nossa, de cada um de nós e de todos os cidadãos. É por isso ainda que, desta vez, não pode haver o comodismo nem o refúgio da abstenção. Nem tão-pouco ambiguidades. Ao contrário do que já ouvi, não houve excessos do lado do SIM no último referendo. Houve desmotivação e confusão. Perdeu-se por míngua, não por excesso. É preciso que desta vez os sinais sejam claros. Quem é pelo SIM não tem quer ter complexos, nem se deve deixar inibir ou condicionar. Firmeza de convicções e de argumentos. E ao mesmo tempo moderação, tolerância, respeito pela opinião contrária.

 

Dizia Voltaire que não é a tolerância que constitui um perigo para a ordem pública, mas sim a intolerância. Vai longe o tempo em que Galileu foi condenado por afirmar uma evidência. Vai igualmente longe o tempo em que Portugal esteve na vanguarda do espírito moderno. Chegou a altura, nesta matéria, de deixarmos de ser uma das poucas excepções na Europa, para que amanhã não se diga, como outrora disse Antero, “enquanto as outras nações subiam, nós baixávamos.”

 

A terra move-se. E é preciso que Portugal também se mova. Supremacia do espírito crítico sobre a imposição dogmática. Liberdade, tolerância, respeito pelo outro. A Europa não é só o euro. A Europa é sobretudo esta civilização, estes valores e estes princípios. E é também disto que se trata.

 

Não se pretende impor nada a ninguém. Ao defender-se a liberdade de decisão da mulher, nos prazos legalmente definidos, admite-se uma opção, mas não se impõe uma opinião. Negar essa liberdade é transformar a opinião contrária em doutrina e imposição do Estado. Não há, aliás, simetria ente o SIM e o NÃO. Quem não quer despenalizar pretende impor uma moral e obrigar todos os outros. Quem defende a despenalização não impõe obrigação nenhuma, permite apenas que, nos termos e prazos legais, a mulher possa decidir de acordo com a sua vontade.

 

Problema de saúde pública. Problema de politica criminal. Mas também problema social e moral em que, como muitos poucos, se espelha e reflecte a desigualdade de classe e de condições económicas. Isso leva a que o aborto em Portugal tenha sido liberalizado da pior forma possível: pelo laxismo, pela mentira, pela hipocrisia e pelo negócio.

 

Toda a gente sabe que se recorre ao aborto segundo a condição económico-social. Quem tem dinheiro vai lá fora ou fá-lo em clínicas de luxo, sob o disfarce seráfico de tratamento ginecológico. Quem o não tem, sujeita-se à rede clandestina, ao vão de escada, à humilhação, à doença, à mutilação ou mesmo à morte. E talvez ao que seja pior ainda – à degradação da sua humanidade no que ela tem de mais íntimo e sagrado. A questão do aborto clandestino em Portugal é inseparável da situação social, da condição de classe ou mesmo de casta. Fruto e reflexo da desigualdade. E é nesse sentido que é, também, uma questão moral.

 

Deixemo-nos pois de subterfúgios. Trata-se de saber quem é por ou contra a persistência de uma proibição, com as respectivas consequências. Trata-se, ao fim e ao cabo, de saber quem é pela verdade na lei ou pela continuação da mentira e da hipocrisia.

 

Seria bom que não se continuasse a viciar o debate, como desde há anos tem acontecido. E por isso é preciso saber, com rigor e sem mistificação, o que é que o Estado nos pergunta. No referendo de 11 de Fevereiro, o Estado pergunta-nos se concordamos com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado. Trata-se de contribuir, na qualidade de elementos do povo detentor da soberania, para a elaboração de uma lei da República, que deve servir toda a gente, que deve ser isenta e imparcial face a todas as confissões religiosas, a todos os poderes de facto e a todos os códigos deontológicos auto-proclamados por qualquer classe profissional.

 

O Estado não nos pergunta se concordamos ou não com o aborto. Ou se concordamos com a promoção do aborto como mais um método de planeamento familiar. Ou se o aborto deve continuar ou não a ser crime. As normas penais relativas ao aborto – os artigos 140º e 141º do Código Penal, “Aborto” e “Aborto agravado” - não são tocadas pelos resultados do referendo. O Projecto de Lei com que o PS se comprometeu se o SIM for maioritário penaliza quem fizer publicidade à interrupção voluntária da gravidez, designadamente como método de planeamento familiar. Uma vez que o artigo 142º do mesmo Código Penal já prevê situações de ‘Interrupção da gravidez não punível’ desde que aceites por uma comissão médica, no debate que agora nos ocupa deixou de ser pertinente e sério insistir no tema da vida do embrião ou do feto e da sua eventual prevalência sobre a vida da grávida. Que se use de rigor e não se procure confundir em vez de esclarecer.

 

O que o Estado nos pergunta é se concordamos com o alargamento das situações previstas no artigo 142º do Código Penal de modo a reconhecer às mulheres grávidas capacidade de avaliação de um estado de necessidade para defesa da sua própria vida, susceptível de constituir causa de justificação para uma interrupção voluntária da gravidez, durante as 10 primeiras semanas e a realizar em estabelecimento de saúde legalmente autorizado.

 

O que o Estado nos pergunta é se concordamos com uma resposta legal integrada, mas para dois momentos:

- até às 10 semanas de gravidez, dando prevalência à vida da pessoa grávida, que é titular de direitos, enquanto o embrião ou o feto não o é, por isso a ordem jurídica vigente lhe confere protecção legal mais mitigada;

- e depois das 10 semanas, dando prevalência à vida do embrião ou do feto.

 O que nos é perguntado é se concordamos que o Estado deixe de dizer à sociedade que tem o direito de forçar uma gravidez, que tem o poder de decidir sobre a vida de toda e qualquer mulher que é titular do direito à sua vida e do direito a uma maternidade consciente e que, não desejando a gravidez, pretende concretizar a respectiva interrupção por razões que não terão que ser avaliadas por estranhos, em nome do Estado, durante as primeiras 10 semanas e preservando o seu direito à saúde.

Entendo que o SIM é a resposta que assegura a liberdade qualquer que seja o sentido do seu exercício. Porque se o Tribunal Constitucional já deliberou no sentido da conformidade de uma resposta afirmativa com o modo como a nossa Constituição consagra a inviolabilidade da vida humana, a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, tal como formulada na pergunta a referendo, é legítima face ao direito - que é do que neste debate se trata. Assim, tanto é legítima a liberdade de quem pretenda interromper a gravidez no quadro indicado, como a liberdade de quem a pretenda prosseguir.

 

É porque considero que não há que recusar a qualquer pessoa o exercício de uma liberdade legítima, é porque defendo a igual dignidade destes dois modos de encarar a liberdade, que voto SIM e apelo ao SIM, no próximo dia 11 de Fevereiro.

                                               Manuel Alegre - Deputado PS


Publicado por mdl às 00:04
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9 comentários:
De David Sanguinetti a 31 de Janeiro de 2007 às 11:33

«É por isso que este problema não é só um problema do foro íntimo, mas um flagelo que exige uma decisão política. Essa responsabilidade é nossa, de cada um de nós e de todos os cidadãos.»

Perdão. Essa responsabilidade é de quem os fez, porque sabe muito bem como o fez; que eu saiba todos sabemos como começa a vida humana. Depois não o quis, mas quanto a isso, responsabilize-se. Ou então, se o meu amigo se quiser responsabilizar, adopte, crie uma instituição de suporte a grávidas e/ou a recém-nascidos, ou ajude as existentes (mas que haja conhecimento, nunca se mexeu nesse sentido).

«Dizia Voltaire que não é a tolerância que constitui um perigo para a ordem pública, mas sim a intolerância.»

Proponho-lhe que faça o favor de ser tolerante com as escolhas religiosas de cada um. Todas as maiores religiões, seguidas por biliões de pessoas num conjunto total, são contra a prática abortista.

«Vai longe o tempo em que Galileu foi condenado por afirmar uma evidência.»

Como por exemplo as marés darem-se por efeito de rotação da terra? Qual foi a "evidência" pela qual Galileu foi condenado (a habitar uma casa com tudo o luxo e liberdade para as suas pesquisas, na qual morreu vítima de cegueira)? Estude meu amigo.

«Liberdade, tolerância, respeito pelo outro.»

Inclusivé o "outro" que se desenvolve no útero materno, suponho.

«Quem defende a despenalização não impõe obrigação nenhuma, permite apenas que, nos termos e prazos legais, a mulher possa decidir de acordo com a sua vontade.»

No fundo, permitir à mulher que, se quiser matar o seu filho, o faça livremente (dentro do prazo de validade, claro), com dinheiro pago dos nossos impostos. Compreendo que a si não, mas ao "zé povinho" custa a pagar sabe?

«Quem o não tem, sujeita-se à rede clandestina, ao vão de escada, à humilhação, à doença, à mutilação ou mesmo à morte. E talvez ao que seja pior ainda – à degradação da sua humanidade no que ela tem de mais íntimo e sagrado.»

Há instituições que apoiam a gravidez da mulher, e acolhem o seu filho. Ela não tem de o abortar, sujeitando-se a isso.
E se aborta porque a isso foi obrigada, saiba o senhor que de acordo com um estudo realizado, cerca de metade dos abortos feitos nos países onde o aborto é legal, são feitos por obrigação e pressão das pessoas próximas. Não vai mudar nada. Além do mais, não é por ser realizado no SNS que será seguro. Não há fórmulas mágicas.

«Trata-se, ao fim e ao cabo, de saber quem é pela verdade na lei ou pela continuação da mentira e da hipocrisia.»

Qual verdade? E a que lei se refere?

«O que nos é perguntado é se concordamos que o Estado deixe de dizer à sociedade que tem o direito de forçar uma gravidez (...)»

Para terminar, penso que será oportuno salientar um facto que está bastante dissimulado neste género de discurso:

1) O Estado, que haja conhecimento, não obriga ninguém a engravidar. Seria minimamente ridículo que o Estado forçasse as mulheres a ter relações sexuais para que, então, pudessem engravidar. Mas se engravidou, e se é vida que habita naquele útero, o Estado deve proteger também essa vida, porque as funções do Estado (teoricamente) abrangem todos, e não só alguns.

2) De uma outra forma, volto a batalhar no ponto em que os bébés não surgem na barriga das mulheres como cogumelos numa mata. Não são um tumor que se desenvolve.
Se falamos em responsabilização, a mãe deve-se responsabilizar pelo filho, ou entregá-lo a quem se responsabilize por ele. Será permitindo que este filho seja morto, que se "responsabiliza"? É impressionante este contrasenso.

"Interrupção voluntária da gravidez", "interromper a gravidez", são termos suaves não são? Até parecem outra coisa como "partos por cesariana", ou "partos provocados". Sim! Também estes são interrupções voluntárias da gravidez.

O que é gravidez Manuel Alegre?

Melhores cumprimentos,
David Sanguinetti


De cneves a 31 de Janeiro de 2007 às 14:46
Meu caro David Sanguinetti,

Você faz as afirmações e depois...tira as conclusões, baseando-se nas mesmas!
É no minimo, pretencioso...
Vou apenas aleatoriamente, repescar algumas delas:
"...inclusivé o "outro" que se desenvolve no útero materno..."
Deixemo-nos de mistificações com base em conceitos e crenças religiosas. O meu caro amigo sabe perfeitamente quando é que o "outro" passa a ter a "qualidade" de cidadão, com direitos que devem ser assegurados e protegidos pelo Estado!
A "verdade da Lei" a que o cidadão Manuel Alegre se refere - e devo dizer que ele não me passou "procuração" para falar em seu nome - consiste em FAZER CUMPRIR o que é legislado, coisa que hipocritamente e PARA ATENUAR A CONTESTAÇÃO DOS CIDADÃOS, não se verifica com a actual Lei: Em rigor, as mulheres que fazem um aborto, deveriam ser condenadas até 3 anos de cadeia... Mas o Juiz "à defesa", faz de conta e fica-se APENAS pela humilhação pública da investigação e do Julgamento!
Depois, o meu meu amigo envereda por algumas afirmações verdadeiramente "delirantes":
"...porque as funções do Estado (teoricamente) abrangem todos, e não só alguns" - disse você...
Pois... o Estado deve proteger todos aqueles que têm direito à protecção do Estado! Onde está a duvida?
E no caso concreto, quem vai decidir isso, vão ser os cidadãos, que no dia 11 se vão pronunciar APENAS, relativamente a uma PERGUNTA CONCRETA...
Choca-o assim tanto a Democracia? Preferiria certamente que fosse o poder a decidir isso - DESDE QUE O PODER PENSASSE COMO VOCÊ...
"Será permitindo que este filho seja morto, que se "responsabiliza"? - pergunta você...
Mas não lhe parece que está a considerar como ponto assente, que às 10 semanas existe um "ser humano" no útero da mãe?
Porque é que o cidadão comum, que pode não ter qualquer crença religiosa, tem que aceitar conceitos baseados em DOGMAS religiosos?
Os melhores cumprimentos,
Celestino Neves


De David Sanguinetti a 31 de Janeiro de 2007 às 19:43
Agradeço a resposta.

Creio que existe uma necessidade de esclarecimento de conceitos.

Antes do aparecimento da ecografia, justificava-se uma certa apreensão quando à possibilidade de se considerar um ser-humano o habitante no útero. Especialmente pelos quais se encontram desprovidos de qualquer crença religiosa.

Depois da ecografia, desmistificou-se, e percebe-se que existe, sem sombra de dúvida, um ser-humano em desenvolvimento dentro do útero. Recomendo-lhe este vídeo para esclarecimentos adicionais:

http://video.google.com/videoplay?docid=6632732813222390835

Na verdade, isto é o que diz a constituição portuguesa:

Artigo 24.º
(Direito à vida)

1. A vida humana é inviolável.
2. Em caso algum haverá pena de morte.

Logo, se é vida humana que ali mora no ventre (vida, porque não está inanimada ou morta; humana, porque não é vegetal ou outra espécie animal), é inviolável.

Há excepções, mas o documento que lhe recomendo mais à frente é minimamente esclarecedor.

O Artigo 66º fala assim:

(…) figurando o nascimento como condição da eficácia de direitos na esfera jurídica
do nascituro, não pode o próprio nascimento deixar de estar salvaguardado
pela lei civil. Assim, para além dos direitos sucessórios do nascituro, reconhece-
se-lhe um interesse juridicamente protegido a nascer.

Tire daí as suas conclusões.

Mas, se pretende realmente informar-se um pouco melhor para que possamos discutir os assuntos partindo de uma base semelhante, recomendo-lhe este trabalho de Henrique Mota:

http://www.apdi.pt/APDI/DOUTRINA/Interrupção%20voluntária%20da%20gravidez.pdf

A Declaração Universal dos Direitos do Homem diz, no seu Artigo 3º:

«Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.»

e no seu Artigo 5º:

«Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.»

Depois temos as recomendações da União Europeira para a prática do aborto livre, contrariando os dispostos anteriores. Mas e depois? Também tinhamos as recomendações todas para não abolirmos a pena de morte há cem anos atrás.
Para além do mais, a política de modernização dos países é o desincentivo ao aborto e incentivo à natalidade (vide Suécia, Noruega e Alemanha).

«Porque é que o cidadão comum, que pode não ter qualquer crença religiosa, tem que aceitar conceitos baseados em DOGMAS religiosos?»

De facto, todas as maiores religiões são pró-vida. Óptimo. Mas é preciso ser-se religioso para perceber vida onde existe vida, e perceber morte onde existe morte? Felizmente que há imensos ateus e agnósticos que apoiam o "não". Consulte o seguinte blog por favor:

bloguedonao.blogspot.com

A ciência (não que esteja em contraposição directa com religião, mas é tipicamente isenta de julgamentos religiosos) prova por A + B em como um "ovo" possui todo o património genético necessário para o desenvolvimento da pessoa. Isto é: o senhor sabia que não somos mais do que uma versão desenvolvida do que habitava no ventre de nossas mães, deste a fecundação de um espermatozóide com o óvulo? É, de facto, impressionante.

Em relação a aplicações penais pela prática de um aborto, vejamos:

«Estar vivo é o contrário de estar morto». Retirar a vida, é matar. Matar um ser-humano (ou um lobo ibérico, por exemplo) é crime. Os crimes são punidos por lei.

Porque é que os crimes são punidos por lei, recomendava-lhe alguma bibliografia, mas guardemos isso para uma altura mais oportuna. O senso-comum por agora chega.

Espero ter sido esclarecedor.


Melhores Cumprimentos,
David Sanguinetti


De cneves a 31 de Janeiro de 2007 às 21:32
Caro amigo,
Agradeço a sua resposta, mas lamento dizer-lhe, a mesma não me conduz a nada de substancial que possa invalidar o meu comentário - e ao invés, reforçar os argumentos avançados no seu. Senão vejamos:
1. O conceito de Pessoa, com direitos e deveres, encontra-se perfeitamente definido na Lei. Se às 10 semanas existisse uma Pessoa com direitos, isso teria desde logo consequências na moldura penal para o "crime" de aborto, equiparando-o ao crime de homicídio...
Ora a moldura é de 3 anos!
2. Você joga deliberadamente, como fazem muitos apoiantes do NÃO, com conceitos que são diferentes -
"vida humana" e "Pessoa humana" - num espermatozoide há vida humana, no zigoto há vida humana...mas não existe AINDA um ser humano!
3. Eu sei que muitos ateus e agnósticos apoiam o NÃO, tal como há muitos católicos e de outros Credos, que apoiam o SIM (eu próprio, sou católico praticante, como já o disse noutras alturas...)
4. Você cita a Constituição Portuguesa completamente a despropósito: - só por pura "entorse" é que pode trazer os n.ºs 1 e 2 do art.º 24.º (direito à vida) para "consolidar" os seus argumentos!
5. O mesmo se pode dizer, relativamente aos art.ºs 3.º e 5.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem: Como é que você consegue compaginar estes direitos com os "direitos" do feto até às 10 semanas´? Valeu o esforço, mas não passou de puro malabarismo, que não pode ser considerado para este caso...
Agradeço as "dicas" que me dá, para visitar alguns "sítios" onde o NÃO tenta a defesa do indefensável - manter o actual estado de coisas, o que há-de convir, resulta numa profunda hipocrisia e no desprestígio do próprio Estado de direito, que tem uma Lei, que ninguém cumpre, mas que pelos vistos vai servindo o interesse de alguns - mas já os conheço quase todos e quem tem ideias sólidas e arejadas, não encontra nenhuma mais-valia nessas "visitas"...
Os melhores cumprimentos,
Celestino Neves



De David Sanguinetti a 1 de Fevereiro de 2007 às 10:30

Caro Celestino,

Quando me diz que é católico "praticante" (desculpe as aspas -- não é por motivos pessoais), perde todo o nexo estarmos a ter esta discussão. Suponho que nada causará maior dor ao corpo que o sr. comunga todos os Domingos do que o desprezo de uma mãe pelo filho que há-de vir. Dou-lhe as seguintes frases do Papa João Paulo II:

«Dentre todos os crimes que o homem pode cometer contra a vida, o aborto provocado apresenta características que o tornam particularmente perverso e abominável.» (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 58)

«Reivindicar o direito ao aborto e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade.» (João Paulo II, Evangelium Vitae, nº 20)

Madre Teresa de Calcutá, que andava no terreno, e não de cadeira em cadeira:

«Mas eu sinto que o maior destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança - um assassinato directo da criança inocente - assassinato pela própria mãe. E se nós aceitamos que uma mãe possa matar até mesmo a sua própria criança, como podemos dizer a outras pessoas que não se matem uns aos outros?...»

«Um país que aceita o aborto não está a ensinar os seus cidadãos a amar, mas a usar a violência para obterem o que querem. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto.»

Com estas centelhas de exemplos, peço-lhe que não se diga católico: SEJA CATÓLICO.

Quanto ao ponto 2, nota-se claramente que é incompreensão de conceitos. Se estiver interessado, terei todo o gosto em enviar-lhe um excerto de um dos argumentários que possuo que lhe esclarecem as dúvidas quanto a esta matéria, devidamente fundamentado com debates filosóficos que têm existido de há muito para cá.

Não percebo o que tem o ponto 4 que o sr. não quer compreender. A mim parece-me lógico, e seria menos mau se fosse seguido e interpretado assim, salvo _legítimas_ excepções, que até estão previstas. Mas para isso, terá de ler o documento que lhe recomendei.

E este "feto" que foca no ponto 5, se pretende de facto tratar as coisas de forma tão biológica, e desprovê-lo de direito à vida por opção única da mulher, pergunto-lhe quem vive de forma tão biológica, ao ponto de não tratar os seus filhos como filhos e netos como netos. Tratá-los-as pela espécie biológica na escala da vida em que se encontram? Como é coisa que tenho convicção que ninguém o faz -- exceptuando aqueles ao serviço da ciência, e por interesse da disciplina em si -- haja coerência.

Além do mais, todas as fases são importantes para a vida humana, e não há a 11ª semana, sem a 10ª, não há recém-nascidos sem os fetos, e não há crianças sem os recém-nascidos. Portugal PRECISA de crianças.

Agora, o sr. vai-me desculpar, mas com todo o respeito tenho de o acusar de não ter visto o que lhe pedi que visse (especialmente o documentário, realizado nos EUA). Certamente contribuirá para se sentir mais informado e, quem sabe até, construir acusações mais válidas, com conhecimento de causa.

Mas se o meu amigo já tem as ideias "sólidas e arejadas", é um desperdício de tempo todos os debates com a sua pessoa. Quanto a mim, estou sempre a aprender, até com o mais ferranho apoiante do "sim", que por vezes me dá um dado novo.

Porém, por muitos argumentos que sejam apresentados, não há _ninguém_ que me demova do quão obtuso é uma Mãe assassinar o seu Filho, nem que este ainda se encontre no seu ventre, nem que este só tenha 10 semanas de vida. Sei que é, de longe, preferível que esta o dê para adopção ou a uma instituição onde o filho tenha todas as condições para crescer, educar-se, amar e contribuir para a sociedade. A morte é, de todas, a pior opção.

Esta despenalização implica (termo de lógica comum devidamente empregue) liberalização. E não aceito que os impostos que custam tanto a pagar sejam empregues para cobrir os desvarios sexuais de uns e de outros (que aumentarão desmezuradamente, dado não existir uma política que incentive a responsabilização do uso da sexualidade).

Neste referendo, optarei pelo mal menor.

Melhores cumprimentos,
David Sanguinetti


De Mário da Silva a 7 de Fevereiro de 2007 às 18:54
Infelizmente há pessoas que não perceberam que ser-se CATÓLICO (no sentido Apostólico Romano ou vulgarmente conhecida por ICAR) não é o mesmo que ir à missa ao Domingo, comungar, confessar-se, baptizar-se pela mesma, casar-se na igreja... mas que existe uma vertente transcendente a aceitar, um catecismo a cumprir e um conjunto de directivas a seguir.

Eu, não sendo católico, já desisti de discutir com os "CATÓLICOS ao estilo Celestino".

Da parte do sr. Manuel Alegre eu não esperava outra posição. Eu tenho memória e ainda me lembro o que originou ao sr Alegre muitos amargos de boca e ao delfim Sérgio a sua "aventura" europeia.

É claro que eu sou pelo NÃO ao aborto livre (http://reason.blogsome.com/category/a-nossa-terra/portugalidades/porque-sou-pelo-nao/) que aqui se propõe.

Até mais.


De Mário da Silva a 7 de Fevereiro de 2007 às 18:59
Já agora deixo aqui um artigo que seria importante os CATÓLICOS lerem.

http://www.paroquias.org/forum/read.php?1,29455,page=4

Claro que se não o forem de verdade isto lhes passa ao lado completamente.

Até mais.


De PSousa*Bancada Directa* a 31 de Janeiro de 2007 às 20:44
Em bancada Directa pode ler muito sobre o aborto, nos marcadores do mesmo, por isso veja a nossa posi,ão e comente....

http://bancadadirecta.blogspot.com/


De humano a 5 de Fevereiro de 2007 às 11:24
E a liberdade legitima do feto ou embrião!!!
Que grande irresponsabilidade!

Porque vós deputados eleitos para ajudar, não fazem com que se criem condições reais de ajuad monetária e pessoal especializado para que sempre que necessário possam apoiar quer as mães quer os filhos.
Chamo hipócrisia, fazerem obras megalómanas, tuneis (mal geridos), aeroportos mal localizados, etc com retorno garantido para empreiteiros e donos de terrenos, não limitarem o fumo simplesmente porque o consumo d tabaco dá dinheiro, legalizar o aborto para dar dinheiro a clinicas e promover a morte da nossa sociedade.
Que raio de deputados sois vós que não defendem incondicionalmente a liberdade e as condições minimas para todos nós.

Defendem sim o consumismo desenfreado, olhem à vossa volta, que educação estão a dar, a da solidariedade, do amor ao próximo ou aquela que comprime o ser como um ser egoísta, eu, eu, eu

Ao invés de promover uma lei que obrigue a criação de centros de apoio à vitima (mulher) da sociedade que criem abonos justos para quem realmente necessita gente e se necessário o estado devia absorver aqueles que fossem ainda assim rejeitados dando-os para adoção ou criando unidades equipadas de pessoas e bens para criar estas crianças, que merecem tanto a liberdade com eu ou voçê.

Quero justiça para todos neste sec. XXI


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