Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Dr. Bernardino Soares - Deputado PCP

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de um espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

bernardino-soares

 

A ÚNICA DECISÃO EM CAUSA

 

 

 

No referendo de 11 de Fevereiro há muitas questões que não estão para decidir. Não está para decidir no referendo qual a verdade científica, nem sequer filosófica sobre o início da vida. Não está para decidir qual a conduta que cada um e cada uma deve ter na sua vida. Não está para decidir qualquer limitação a convicções religiosas ou éticas.

 

O que de facto está para decidir é se a mulher que recorre à interrupção voluntária da gravidez deve ser sujeita a investigação, julgamento e eventual condenação a pena até três anos de prisão. O que está proposto é a abertura de uma nova excepção à penalização do aborto, que, num prazo de apenas 10 semanas, permita às mulheres que hoje recorrem ao aborto clandestino, ter acesso a uma interrupção da gravidez segura em estabelecimento de saúde. Não se trata pois de qualquer liberalização.

 

Esta possibilidade permitirá combater o grave problema de saúde pública que é o aborto clandestino, com graves consequências para a saúde de milhares de mulheres, e em simultâneo diminuir o recurso ao aborto, uma vez que se garante o encaminhamento para o planeamento familiar de uma forma eficaz e que isso ajudará certamente a diminuir futuras gravidezes indesejadas.

 

É uma grande hipocrisia afirmar, como fazem muitos partidários do Não, que não querem a alteração da lei, mas também não querem a prisão das mulheres. Nada de mais falso. Para não haver prisão de mulheres é preciso alterar a lei. E essa é de facto a única decisão a tomar no próximo referendo.

 

 Bernardino Soares

Presidente do Grupo Parlamentar do PCP


Publicado por mdl às 21:10
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7 comentários:
De js a 26 de Janeiro de 2007 às 12:54
Sim! Vou votar...
FORÇ'AÍ!
js de http://politicatsf.blogs.sapo.pt


De AB a 26 de Janeiro de 2007 às 14:37
Se a vida humana começa na concepção e termina com a morte, logo o aborto é matar uma vida humana. Porque será que concordamos em matar ema vida humana no ventre materno e somos contra quando essa vida humana deixou esse local de residência? Será que o local de residência é que estabelece se uma vida é humana ou não humana? Dizem que a mulher é dona do seu corpo... Então, será que ninguém me pode culpar pelas atrocidades que eu cometa em minha casa ou no meu carro?...


De cneves a 26 de Janeiro de 2007 às 15:16
AB,
Qualquer coisa não bate certo no seu comentário (ou na sua cabeça...)
A Lei já define quando é que podemos considerar como existindo "legalmente" um ser humano!
Nesta questão da interrupçção da gravidez, a Ciência procurou foi situar a liberdade da mulher, de decidir sobre o seu corpo, num patamar em que à luz dos conhecimentos actuais, ainda não existe um ser humano - as 10 semanas...
Não percebo é em que é que a dita liberdade, pode ser comparada às atrocidades que você faz ou pode fazer em sua casa ou com o seu carro...
Francamente...
Celestino Neves


De AB a 26 de Janeiro de 2007 às 18:56
Parece que quem aqui não tem tino é o Sr. Celestino. Então o aborto é uma questão da liberdade da mulher?!... Se a vida começa na concepção e termina com a morte, como se pode dizer que até às dez semanas é que se pode matar e não às 20, 30 ou depois do nascimento? Se nós vamos sempre evoluíndo fisicamente, como dizer que em determinado período a vida de um ser é mais humana que noutro período do nosso desenvolvimento? O Sr. não percebeu a analogia da casa ou do carro? Dahhh!!!


De cneves a 26 de Janeiro de 2007 às 19:57
Caro(a) AB,
Eu só percebo o que é apresentado de forma séria e por isso "não percebi" a sua "analogia" dahhh!!!
Mas já agora, deixe-me perguntar-lhe:
Com tanta falta de modéstia, será que possui ainda alguma capacidade residual para entender o que diz a ciência sobre o assunto?
É que às 10 semanas, NÃO EXISTE AINDA um ser humano, logo NÃO ESTAMOS A MATAR NINGUÉM - caso contrário, teríamos um grande problema com a actual Lei, porque segundo a sua optica, "matamos" quando aceitamos que no caso de violação, mal-formação, perigo da vida da mãe, etc., se faça o aborto, dahhh!!!
Celestino Neves


De Roberto a 27 de Janeiro de 2007 às 13:28
Aos 18 dias o coração já bate, se bate, é porque está vivo. Se isto não for já um ser humano, é o quê? Um cão, um gato????

Ninguém tem o direito de MATAR outra pessoa, por mais difícil k seja deixa-la viver. Se a futura criança fala-se na maioria dos casos diria que keria viver, é injusto ignorar os direitos da criança. É difícil para a mulher, mas este não pode ser o remédio, é pior ainda a imenda, só que quem a sofre é a criança, logo as mulheres não ligam muito a isso. Quem morre é outra pessoa, né???? Que nem sequer pode defender-se, né??????

10 semanas são demais, considero um ser vivo a partir dos 18 dias, logo voto NÃO.


De laura_ceu a 31 de Janeiro de 2007 às 18:55
O aborto clandestino é um problema político e social.

Votar «Sim» é:

O único voto que afirma a urgência de pôr fim às investigações, aos julgamentos e condenações de mulheres e aos riscos para a sua saúde que circuitos clandestinos implicam para sucessivas gerações, particularmente aquelas com menos recursos económicos;
O único voto que representa o respeito pelas diversas opções presentes na sociedade portuguesa, já que a existência de uma lei despenalizadora não afrontará a consciência individual de cada um, nem obrigará nenhuma mulher a tomar decisões contra a sua vontade;
Reconhecer que a clandestinidade da prática do aborto alimenta a sua total liberalização: pratica-se sem qualquer garantia de respeito pela saúde das mulheres, sem aconselhamento em matéria de planeamento familiar e alimenta um negócio vergonhosamente lucrativo;
Reconhecer que o aborto clandestino é uma realidade que tem nefastas consequências para a saúde das mulheres e que a sua criminalização nunca dissuadiu, nem dissuadirá, as mulheres de o praticarem.

http://paradela1.blogs.sapo.pt/8023.html


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