Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

Ana Soares - Bragança

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de uma espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não. 

img166/3563/anasoaresip8.jpg               Pelo Não!

Foi-me lançado pelo movimento "Por Mirandela" o desafio de participar num debate na blogosfera sobre o referendo do próximo dia 11 de Fevereiro. É com muito agrado que neste texto explicarei porque defendo que o não é a opção certa, não podendo deixar passar esta oportunidade para felicitar este Movimento pelas posições que tem tomado em favor da nossa região que tanto me orgulha e de, não tendo oposição oficial sobre o referendo que se aproxima, ter tomado a iniciativa de abrir o seu espaço à discussão tão urgente e necessária. Bem-hajam!

 

            Eu voto não porque o que está em causa é o valor da vida humana. Qualquer sociedade tem que ter princípios que lhe sejam basilares e parece-me que o mais fundamental é o Direito à vida. É este o ponto onde se deve centrar o debate sobre o referendo: a criança que pelo aborto não nascerá. Coloca-se aqui a questão do que representa um ser com dez semanas de gestação. Eu considero que o estado intra-uterino é apenas uma das fases da evolução do ser humano, como o são a infância, a adolescência, a idade adulta, a velhice, pelo que defendo que a vida do nascituro, tal como a de qualquer um de nós, deve ser protegida. No entanto, é indiscutível que não existe consenso quanto à definição do feto com dez semanas. Pergunto-me se, neste caso, não se deve optar por uma solução que dê o benefício da dúvida à parte mais fraca. Eu creio que sim, nem de outro modo poderia ser numa sociedade que se diz de Direito e Democrática.

            Eu voto não porque prefiro que os meus impostos sejam utilizados na manutenção de maternidades abertas e no reforço da qualidade dos serviços de planeamento familiar. O que se tem verificado é uma opção política que fecha salas de parto e diminui a oferta de métodos contraceptivos nos Centros de Saúde, ao mesmo tempo que pretende introduzir o aborto no Sistema Nacional de Saúde.

            Eu voto não porque se o não ganhar, o aborto continua a ser permitido quando se verifique perigo de morte ou de grave lesão para a saúde física ou psíquica da mãe, doença grave ou malformação congénita do nascituro, inviabilidade do feto ou violação. Se o sim ganhar, qualquer mulher, sem necessidade de apresentar justificação, poderá abortar. A gravidez é uma época de especial pressão sobre a mulher e todos sabemos que em épocas de especial pressão estamos mais vulneráveis e que muitas vezes nos arrependemos posteriormente das escolhas que fazemos. No aborto não há arrependimento possível, bem como me parece inaceitável que o Pai não tivesse, se o sim vencesse, qualquer palavra a dizer quanto ao fim da possibilidade de nascimento do seu filho. Onde fica a igualdade de sexos?

            Eu voto não porque nenhuma mulher aborta por prazer e pretendo reduzir o drama dos abortos clandestinos e não é com o "aborto por pedido" que o vou conseguir. Muitas mulheres nunca se deslocariam a um Hospital para abortar porque pretendem esconder das suas famílias e entorno social a sua gravidez. Muitos abortos são realizados, como é reconhecido por todos, por falta de apoio à mãe. É neste sentido que podemos criar um caminho que leve à diminuição do aborto, aumentando os meios de apoio à família, não banalizando a sua prática.

            Eu voto não porque defendo que esta questão seja tratada com o máximo de seriedade. Tem-se dito que quem vota não pretende ver as mulheres na cadeia. Mentira. Se o sim ganhar, quem abortar ás dez semanas e um dia será sujeita a julgamento e já foi afirmado que a pena de prisão será para cumprir, enquanto que até hoje nenhuma mulher foi presa. Para exemplificar, refira-se que os julgamentos polémicos em que manifestações pró-aborto foram realizadas à porta do Tribunal, com a vitória do sim continuariam a realizar-se, pois esses abortos foram feitos para além das dez semanas.

            Eu voto não porque a mãe não tem o direito de decidir sobre a vida de um outro ser. Ás dez semanas existe já um ser humano diferente dos pais que o geraram ou dos irmãos que tenha. As ecografias e as cirurgias intra-uterinas não nos permitem negar a existência de uma vida, para além da vida da mãe. É esta vida que merece ser protegida pelo Estado Português.

            Eu voto não porque digo sim à vida!
Ana Soares - Membro da Com. Política Nacional CDS-PP

Publicado por mdl às 21:04
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4 comentários:
De cneves a 19 de Janeiro de 2007 às 00:06
Cara amiga,
Não sei se deva (ou não) dar-lhe os parabéns, pela clareza do seu artigo...
Em primeiro lugar demarca-se relativamente a uma "tendência" maioritária do SIM no seio do seu Partido (a fazermos fé naquela sondagem divulgada pelos Orgãos de comunicação). Fica sempre bem ser do "contra"...
Em segundo lugar, mostra de "relance" o que pensa sobre a defesa da "vida humana" dos fetos que na actual Lei podem ser "exterminados". Nesses casos, não é crime, mas nos casos previstos à luz do actual Referendo, já é...
Mas há excepções em relação à "pena de morte"? Por exemplo, no caso do Sadam ou do Bin Laden podemos admitir que sejam enforcados, fusilados (ou outros "ados"), mas se for o Bush ou o Blair já não, porque é crime?
Mas regressemos ao feto até às 10 semanas:
Se considera que provocar o aborto (fora das situações já previstas) deve constituir crime, qual a moldura penal - 25 anos? menos? - porquê?
É que a moldura actual, como sabe, é de 3 anos...
Qual o critério que esteve na base desta moldura?
- Talvez o Legislador tenha "considerado" o feto até às 10 semanas apenas 1/8 de pessoa humana...
Por último, cara amiga, quer ganhe o SIM, quer ganhe o NÃO, abortos vão continuar a existir.
A diferença está apenas nas condições em que se farão! - e neste dilema, as Clínicas de luxo de que fala a Dr.a Maria José Morgado e os próprios "candongueiros de vão de escada", são claramente, parte interessada no desfecho final!
Cumprimentos,
Celestino Neves


De Jorge Franco a 19 de Janeiro de 2007 às 15:06
Parabéns pela clareza da sua posição. Parabéns pela focagem de todos os pontos em que defende a vida acima de tudo (apesar de ter apenas 10 semanas), acho piada focarem os gastos de dinheiros públicos no aborto como forma de reforçar a sua posição no "não", quando existem milhares de milhões de euros mal gastos todos os anos em acumulação reformas "fraudulentas" e em indemnizações de gestores públicos pagas a peso de ouro, (esses são os meus impostos). Que tal formarem movimentos cívicos para criar, alimentar, educar e fazer feliz todas as crianças que são abandonadas pelos pais ou mães solteiras, movimentos cívicos esses que sim seriam pela vida. Se gastassem esse dinheiro todo em criar os meios para que essas crianças menos afortunadas tivessem as mesmas oportunidades na vida que os vossos filhos.. que tal??


De paulo a 19 de Janeiro de 2007 às 22:17
parabéns.


De Cambalhotamatinal a 22 de Janeiro de 2007 às 18:58
minha cara, sobre a "casa pia", que lhe ocorre defender?

parabens "por mirandela", está fantastico!



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