Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Celestino Neves - Reformado - 58 anos Valongo

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de uma espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Antes de mais, parabéns pelo exemplo de abertura que dão, ao colocarem o vosso espaço disponível para um debate aberto (o facto de a esmagadora maioria das mensagens recebidas ser (para já) maioritariamente a favor do NÃO, não vos pode ser imputado!)

Como já toda a gente disse, o problema das DESPENALIZAÇÃO DA INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ ATÉ ÀS DEZ SEMANAS... - porque é só disso que trata o referendo e não de qualquer processo de "liberalização" - é um problema transversal (toca em todas as sensibilidades políticas e religiosas, num e noutro sentido). Basta analisar por exemplo, os resultados daquela sondagem que está a ser divulgada pela TVI e que dá no seio do eleitorado do CDS/PP, a maioria a favor do SIM - eu sei que é "apenas" uma sondagem!

Não se justifica portanto aqui - nunca se justifica aliás - iniciar nenhuma "cruzada" contra ninguém, porque correríamos sempre o risco de encontrar na frente das nossas "armas", caras conhecidas e amigas e até eventualmente, familiares nossos!

Achei um "mimo" de ternura naif o post publicado no vosso Blog pelo Dr. Miguel Reis Cunha - que aliás comentei...

"...o problema só teria relevância, se estivéssemos na Etiópia ou no Bangladesh..."

"...estamos em Portugal, que ainda tem um sistema de Segurança Social razoável..."

E depois, vem aquela "delícia" de frase:

"...perguntei à senhora, como era possível ter tantos filhos naquelas condições... e ela respondeu com um sorriso de orelha a orelha: graças a Deus, tudo se cria..."

Pois é, mas o Dr. (naquela altura ainda futuro Dr. ...) esqueceu-se da pergunta seguinte – e óbvia: "...mas nunca pensou em usar nenhum método de planeamento familiar?!

Sabe o Dr. – sabem os meus caros amigos – qual seria a resposta mais provável?

“Credo!  Claro que não!  ... O senhor abade tem-se fartado de dizer que isso é um grande pecado, que devemos aceitar todos os filhos que Deus nos dá!"

Esta é a força do "lobbie" religioso" - e não apenas católico!...

São muitos séculos de "catequização" - no sentido negativo do termo - a ameaçar com o fogo do inferno quem não pensa como nós.

E olhem, que quem vos fala, é católico praticante e não deixa de reconhecer o enorme papel que a Igreja Católica tem desempenhado e continua a desempenhar no auxílio aos mais desprotegidos - basta olhar para a dimensão da sua Obra Social espalhada por todo o mundo...

Só que, nem em relação aos nossos pais, devemos abdicar do nosso sentido crítico!

 

      CELESTINO NEVES - Ref. da Função Pública, 58 anos - Alfena, Valongo


Publicado por mdl às 23:24
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3 comentários:
De Mário Margaride a 13 de Janeiro de 2007 às 17:28
Meu caro amigo Celestino, não poderia estar mais de acordo. As confissões religiosas, sejam elas quais forem, deveríam pura e simplesmente, dedicarem-se à sua função, de carácter teológico, e deixarem de se intrometerem na vida privada das pessoas, condicionando-as.
Mas teimam em se arvorarem de mentores, fazendo das pessoas estúpidas e atrasadas mentais.

Espero amigo Celestino, que o SIM vença. Para se acabar de vez, com esta vergonha nacional!
Se puder visite a "A Voz do Povo", e deixe o seu comentário.

Cumprimentos: Mário Margaride


De cneves a 13 de Janeiro de 2007 às 20:19
Caro amigo Mário Margaride,
Obrigado pelo seu comentário. Vai no mesmo sentido do que escrevi, o que me agrada como é evidente, mas para os eventuais discordantes, fica o desafio:
Não façam a discussão deste problema com base na "não-discussão" isto é, com base em "dogmas"...!
Aceito o seu convite e irei "visitar" com todo o gosto A Voz do Povo!
Com toda a estima,
Celestino Neves


De Miguel Reis Cunha a 10 de Fevereiro de 2007 às 11:50
Caro Celestino,
Vejo que o meu artigo gerou em si um grande entusiasmo ao ponto de o comentar, não uma, mas duas vezes, fazendo, inclusive, citações .
Conhecerá certamente, o amigo Celestino, em Portugal, imensas pessoas a morrerem na rua com fome para afirmar que a referência, no meu artigo, a países de terceiro-mundo, foi naif ?
E, por falar de “generalidades” não posso deixar de considerar a sua afirmação de que a questão do aborto por motivos económicos está relacionada com a actuação pérfida e negativa da Igreja extremamente redutora e essa sim bastante naif, tendo em conta a crescente redução de católicos praticantes de uma Igreja cada vez menos influente. Na realidade, confesso que me soou, até, um pouco a “cassete do bloco de esquerda”, uma vez que estes é que normalmente se entretêm a dizer a toda a hora e momento que todos os males da sociedade são culpa da Igreja Católica.
Mas, deixemo-nos de fait divers e discutamos o que realmente interessa “pode e deve uma mulher fazer um aborto por motivos económicos ?” (é que este é que era, se se recorda, o tema do meu artigo). .
Sobre o episódio que aí relatei, devo-lhe dizer que ocorreu em pleno bairro da Musgueira, em Lisboa, e, por acaso, se bem me lembra, não notei que a senhora em causa se tivesse particularmente manifestado como sendo uma católica fervorosa.
Mas já agora gostaria de lhe contar também que tenho, na minha família, um casal que é adepto fervoroso do aborto livre e que, além disso, é grande adepto das correntes esquerdistas mais radicais e que, por acaso, têm, nada mais, nada menos, do que 5 filhos. Será que eles os dois também não conhecerão as técnicas de planeamento familiar? O que é certo é que também nunca dei conta de serem católicos. Bem, pelo contrário, até estão sempre a falar mal da Igreja.
Veja bem, pois, como, tal como eu, é arriscado afirmar “generalidades”...
Como vê, nestes dois casos que lhe referi, há quem queira ter muitos filhos e não sinta necessidade de ir a Espanha fazer um aborto numa clínica higienizada ou às tenebrosas clínicas de vão de escada porque, quais bruxos especialistas em futurologia, antevêem com toda a certeza que aquelas crianças que vão nascer serão umas desgraçadinhas e irão, com toda a certeza, morrer de fome abandonadas nas rua, pelo que é sua obrigação aliviá-las do “fardo” da sua futura vida.
Já agora, será que alguma dessas pessoas me poderia dizer a chave do Euro-milhões da próxima semana?
Mas, amigo Celestino, sossegue. Se a tendência das sondagens se confirmar, daqui a mais umas horas, poderá passar a ter o orgulho de dizer que vive num país onde qualquer mulher, contra a vontade do progenitor, por qualquer motivo que não precisará de explicar, poderá eliminar o ser vivo que, ela própria, gerou e leva no seu ventre.
Alegre-se e cante alvíssaras, amigo Celestino, pois deixaremos de ser esse país medieval e obscurantista agrilhoado pelos dogmas castradores da Igreja Católica para passarmos a ser um país moderno e sofisticado com uma legislação totalmente aberta e livre, idêntica à de países exemplares como os da Coreia do Norte ou da República Popular da China
Amigo Celestino, penso que poderíamos ficar eternamente aqui a discutir com comentários e contra-comentários um do outro. Como imagina, obviamente eu também acho os seus comentários extramamente naifs, assim como o amigo também achou os meus. É que, na nossa cabeça, ambos consideramos reciprocamente que os argumentos um do outro são redutores e simplistas. E, por isso, por mais que escrevamos nunca iremos modificar personalidades e opiniões que, desde há muitos anos, se encontram já formadas e bastante consolidadas.
Por tudo isto, aqui lhe deixo mais um dos meus comentários “naifs”, desejando-lhe, com sinceridade (acredite) as maiores felicidades e, sobretudo, muita saúde e anos de vida.
Com estima e amizade, Miguel Reis Cunha


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