Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

Dr.ª Júlia Rodrigues - Mirandela

Os artigos expressos neste blog não reproduzem a posição do Movimento. Trata-se apenas de uma espaço de difusão de várias correntes de opinião quer do Sim ou do Não.

Despenalização em Referendo

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Segundo as estimativas, cerca de 20 mil mulheres por ano, têm a necessidade de interromper uma gravidez que não desejam ou não podem prosseguir. As razões individuais para esta opção, não são conhecidas, variando de mulher para mulher. Tantas vezes é a única solução e a mais difícil das opções. Se, porventura, a medicina pudesse garantir uma contracepção 100% eficaz e só ocorresse uma gravidez quando desejada e planeada, os cidadãos não teriam que votar o referendo da Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, agendado para o próximo dia 11 de Fevereiro. Nesta matéria, o actual estado de coisas, merece a nossa atenção e reflexão sobre o que vamos votar, como vamos votar e porque devemos ir votar.

Existem opiniões distintas e há até quem considere não ser matéria própria para referendar. Criam-se argumentos de defesa e ataque que favorecem o desconhecimento, a incompreensão e o extremar de situações reais.

Apesar de ser usual dizer-se que “Cada um sabe de si…”, devemos exigir ao poder político a obrigação de proteger e proporcionar aos cidadãos o direito de opção, o acompanhamento em segurança de ocorrências na saúde das populações e de garantir a prevenção da ocorrência de danos irreparáveis na saúde física e psíquica de mulheres que, escapando à ilegalidade, recorrem a uma de duas soluções. No caso de terem recursos financeiros, recorrem a clínicas privadas, especialmente em Espanha ou, em alternativa, correm o risco de um único momento, de possível retorno à vida da mulher, poder representar a sua morte. É um drama social, representa um risco para a saúde pública, mantém o aborto clandestino e não garante a vida. Se pensarmos o que mudou em Portugal desde 28 de Junho de 1998, data do último referendo, concluímos que os problemas que estão na base da necessidade da interrupção de uma gravidez indesejada não foram resolvidos e que os movimentos criados, a favor e contra a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez têm responsabilidades especiais na defesa da consciência e da vida. Os valores de consciência e de vida são universais e incontestáveis tal como é a dignidade e a igualdade de oportunidades. O que vamos votar é a possibilidade de alargar as situações em que a interrupção voluntária da gravidez é descriminalizada, deixando de ser punível com pena de prisão até 3 anos.

               Dr.ª Júlia Rodrigues - Presidente da Com. Política do PS/Mirandela


Publicado por mdl às 11:24
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3 comentários:
De cneves a 12 de Janeiro de 2007 às 16:59
Minha cara amiga Dr.a Júlia Rodrigues,
Inteiramente de acordo com o que diz acerca da "substância" do assunto em debate.
Eu sou dos que penso que a actual maioria política do Parlamento, deveria pura e simplesmente ter assumido as suas responsabilidades e legislar sobre a despenalização da IVG - e nesse caso, nem estariamos para aqui a gastar energias a debater apaixonadamente o tema...
Mas também compreendo que num País maioritariamente católico, se tenha procurado esbater ao máximo a ideia de que se está a impor uma solução não referendada...
Ninguém vai ser obrigado por causa da eventual - e espero que efectiva - vitória do SIM a violentar os seus sentimentos pessoais, porque nenhuma mulher vai se obrigada a fazer um abôrto!
Aliás, concordo com a ideia de que o Estado deve AJUDAR as Instituições que se proponham apoiar as mulheres em dificuldades que queiram seguir em frente com a sua gravidez!

Com toda a estima,
Celestino Neves


De A bibliotecade Jacinto a 12 de Janeiro de 2007 às 17:59
N'A biblioteca de Jacinto (http://abibliotecadejacinto.blogspot.com) estou a publicar uma série de reflexões sobre o referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Procuro ser isenta e imparcial. No fundo, procuro ser intelectualmente honesta. Sei que não sou dona da verdade, mas tenho uma opinião formada àcerca do assunto e irei votar. A minha opinião resultou de uma reflexão profunda e depois de ponderar vários aspectos. Rejeito aquilo a que um amigo meu designa por "achismo". Num assunto tão grave não podemos limitar-nos a "achar", assim como quem acha que o Porto vai ganhar o campeonato ou que a Lili Caneças está melhor agora que antes da última operação plástica. "Achar" e "ter opinião" não são a mesma coisa. Achar resulta de um impulso, de uma percepção, de uma impressão, contém uma forte dose de intuição. Ter opinião implica reflectir, informar-se junto de quem sabe mais do que nós, pesquisar e ponderar os vários factores em causa. Eu tenho opinião. Certa ou errada? Não creio que isso exista. A minha opinião é compatível com a reflexão que fiz e é coerente com os meus valores e com o meu modelo de sociedade. É coerente com o que desejo para os filhos que ainda espero ter.
Não revelarei de imediato a conclusão das minhas reflexões. Limitar-me-ei a apresentá-las, ao longo de alguns dias, e, quem se der ao trabalho de as ler, poderá avaliar da sua pertinência, da sua lógica e da sua coerência. Poderá confrontá-las com as suas próprias reflexões (se as fez) ou poderá - quem sabe? - aproveitar agora para reflectir.
Os comentários são livres, como sempre, n'A Biblioteca de Jacinto. Aqui não há censura. A liberdade de exprimir opiniões é total. Na Biblioteca de Jacinto só não há lugar para linguagem imprópria e para ataques pessoais, sejam quem forem os visados.
Mais tarde, revelarei se voto Sim ou Não. Se, até lá, eu conseguir que os visitantes da Biblioteca de Jacinto não consigam adivinhar o meu sentido de voto, terei conseguido o que pretendo: uma reflexão imparcial, isenta e intelectualmente honesta.


De Mário Margaride a 13 de Janeiro de 2007 às 18:26
É curiosa esta posição da "Biblioteca do Jacinto". Eu diria, cómoda! Aliás...ambígua. "Nem é carne nem é peixe"! Será que não tem opinião, sobre este tema? Sejamos objectivos. Não entremos em ambiguidades!
Eu sou sem qualquer dúvida, a favor da descriminilização.
Ponto final parágrafo.
Se a Biblioteca do Jacinto, quiser saber mais sobrea minha posição, convido a visitar "A Voz do Povo".
Cumprimentos: Mário Margaride


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